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A 18 de Outubro de 1932, em Lisboa, na Freguesia de Santos-O-Velho, nasceu o nosso protagonista de hoje, Eduardo Artur da Costa Martins, que todos conhecemos pelo epíteto de "Quatrocentos".
Quando se matriculou, pela primeira vez, na Escola Comercial de Ferreira Borges, de saudosa memória, então instalada no gaveto da Calçada Tapada com a Rua da Creche (hoje Rua José Dias Coelho), recebeu esse número - o 400 - e, para sempre, ficou marcado pelo estigma de tais algarismos.
Tentou ser futebolista, exactamente ao mesmo tempo que Germano de Figueiredo, nos infantis do Atlético, mas cedo se convenceu que não tinha predicados para jogador de futebol e desistiu. Como era alto, senhor de bom arcaboiço físico, enveredou, então, pelo basquetebol, com assinalável êxito.
Pertenceu à equipa senior do Atlético Clube de Portugal na modalidade da bola ao cesto, sagrando-se campeão distrital de Lisboa, nas épocas de 50-51 e 52-53. Juntou a estes títulos o de histórico vencedor da Taça de Portugal, edição de 1954, ao mesmo tempo que fez parte, em várias ocasiões, da selecção lisboeta.
Lado a lado com figuras tão relevantes como Avelino do Carmo, José Augusto, Coelho da Fonseca, Vítor Apresentação, Ernesto de Oliveira e Vítor Rocha, tornou possível levar o estandarte do Clube ao nível mais alto de todos os tempos. Ainda hoje, tantos anos passados, dão-me arrepios só ao citar o nome destes autênticos "monstros" na arte de bem jogar, artífices duma equipa ímpar.
Eduardo Martins teve como treinadores, ao longo da sua carreira, vários técnicos sobejamente conhecidos e acreditados no panorama da modalidade, entre os quais justo se torna realçar Manuel Quaresma, Alfredo Neves e o prof. Teotónio Lima. Em relação a atletas da sua geração, admirava muito ao extraordinário Avelino do Carmo, a quem considerava o maior basquetebolista português de sempre, também por Bernardo Leite, do Benfica, e pelos sportinguistas Abílio Ascenso e João Coutinho, mas devido à sua versatilidade, era Mário Mexia, da Académica de Coimbra, que rubricou exibições inolvidáveis na fase de transição do basquetebol luso, aquele que mais o impressionou.
Grandemente afectado, incapaz de superar o choque emocional produzido pela morte trágica do seu querido amigo Avelino do Carmo, abandonou os recintos de jogo em plena juventude, aos 27 anos, quando ainda muito se esperava da sua classe e talento de basquetebolista. No entanto, o seu fervor clubista e dedicação levaram-no a treinar a turma de juniores do Atlético, durante uma temporada e, mais tarde, integrou também uma Direcção da nossa colectividade, da qual faziam parte Rui Severino, Presidente; Vítor Seijo e António Borges.
Antes de se reformar, a sua actividade profissional, que exercia numa firma dedicada à electrónica, levou-o a terras da Beira-Baixa e, aí, tentou implantar a prática do basquetebol, modalidade quase desconhecida nessa zona do país, naqueles anos, apoiado directamente pelo então director do Jornal do Fundão, António Pelouro. Foi eleito sócio de mérito da Associação de Basquetebol de Lisboa, como justo reconhecimento à sua trajectória desportiva e humana, embora não o fosse do Atlético, uma dívida, talvez, ainda a tempo de saldar com o popular "Quatrocentos".
Este artigo tem a autoria de Carlos Fernandes, é o nº 3 da colecção "As Nossas Glórias" e foi originalmente publicado no jornal "O Atlético" nº 49, Março de 2005. |