|
Stº António, 1 - Mem Martins, 1 |
|
|
|
|
Escrito por Atlético Digital
|
|
Segunda, 18 Janeiro 2010 00:29 |
|
Futebol. Há empates que doem mais do que derrotas... Este foi um deles! Na zona de entrevistas, espaço para os comentários dos treinadores José Carlos (Santo António) e Fernando Rodrigues (Mem Martins).
Esta introdução tem de ser entendida na perspectiva da turma da casa, bem entendido, além de que não pretende denegrir o trabalho do Mem Martins! Uma equipa que, à passagem da 7ª jornada, ocupava um modesto 13º lugar e que, após uma série de 7 jogos sem conhecer o travo amargo da derrota, ocupa hoje lugar de destaque na tabela classificativa, tem obviamente mérito. O facto é que estamos a orientar mal este artigo, começando pelas conclusões quando deveríamos seguir a ordem natural dos acontencimentos. Vamos a isso!
O Santo António entrou bem, gizando os primeiros lances de ataque da partida e ganhando cantos. O Mem Martins também não tardou muito a conquistar o seu primeiro canto, aos 6 minutos, que aqui recordamos na medida em que saiu tão tenso, que forçou Miguel à primeira defesa do jogo, sobre o travessão. Na resposta, o Santo António usou a cabeça para forçar Bruno a desviar para canto. O Mem Martins tem um bom guarda-redes, seguro, mas a sua defesa também não é fácil de transpor. Por isso, durante grande parte do primeiro tempo escassearam os lances de perigo na sua área, pese embora o maior caudal ofensivo da turma da casa, que tentava a meia-distância, embora sem grande sucesso. Diz-se que água mole em pedra dura... Ou, por outras palavras, o Santo António dispôs de duas boas oportunidades para chegar ao intervalo em vantagem, ambas protagonizadas por Licas: na primeira, aos 32 minutos, desviou sobre a barra; na segunda, pouco depois, foi mais forte do que Serginho mas, na cara do guarda-redes e sem ângulo, não conseguiu melhor do que ganhar canto.
O Mem Martins entrou com outro entusiasmo para o período complementar. Logo no seu início, beneficiou de um livre directo, através do qual o recém-entrado Rovisco forçou Miguel a aparatosa defesa, para canto. O Santo António não tardou a reagir e, poucos minutos volvidos, na melhor jogada da partida, cabeceou Zé para defesa instintiva de Bruno, falhando Rodrigo a recarga porque a defesa contrária recompôs-se rapidamente e antecipou-se-lhe. As entradas de David e Piggy vieram dar outro élan ao ataque: primeiro reparámos em David, aos 64 minutos, quando rematou ao lado... Depois, em Piggy, quando misturando velocidade com determinação ganhou posição no flanco direito, mesmo partindo em desvantagem sobre o seu oponente! Ambos os lances pareciam indiciar um golo iminente, que de facto surgiu aos 71 minutos, mas para o Mem Martins, num lance de bola parada.
O Mem Martins festejou exuberantemente a vantagem alcançada, mas que seria sol de pouca dura. O Santo António reagiu, aplicou toda a sua energia no ataque e, três minutos volvidos, empatou, através de um remate de meia-distância em que Bruno foi traído pelo desvio de Marinho. Voltava assim tudo à mesma! Por momentos, o Mem Martins deu ideia de ser capaz de equilibrar a partida, mas depois dos lances protagonizados primeiro pela dupla Matateu (recém-entrado no jogo) e Nelson, a que se opôs o guarda-redes, aos 85 minutos, seguindo-se Piggy aos 87, a não conseguir dominar o esférico, terá pensado que o empate já seria bom... Tanto mais, que em cima do minuto 90 Joel foi expulso por acumulação de cartolinas amarelas. O árbitro concedeu 5 minutos de compensação, período esse que foi muito atribulado de tal modo que, em tempo real (não de jogo), foram 10 minutos! Aconteceu de tudo um pouco: primeiro, foi expulso Licas, também ele por acumulação de cartolinas amarelas. Depois, marcou o Santo António um golo, que lhe foi invalidado... Sabe-se lá porquê! Seguiu-se nova expulsão de um jogador do Santo António, do banco. Enfim! Pelo menos, tudo acabou em ordem e sem percalços, para bem de todos.
O jogo foi de facto complicado de gerir pela equipa de arbitragem. Houve muito contacto físico entre jogadores e inúmeras interrupções para prestar assistências ao longo de toda a partida. Não nos passou despercebido o estilo autoritário do árbitro principal, que não terá funcionado da melhor maneira com os jogadores de ambas as equipas, faltando-lhe talvez noções de pedagogia. Repetimos que não percebemos a razão do golo anulado... E talvez se pudesse ter evitado a última expulsão.
Campo nº 2 do Estádio da Tapadinha, 17 de Janeiro de 2010, 15:00 horas. Sob a arbitragem de Nuno Duque, as equipas alinharam: Santo António: Miguel; Higuita, Nuno, Madragas "cap." e Hugo (David aos 56'); Marinho, Rodrigo (Matateu aos 81'), Zé e Licas; Nelson e Jackson (Piggy aos 56'). Treinador: José Carlos. Mem Martins: Bruno; Bonga "cap.", Joel, Serginho e Jerónimo; João Vilas (Pedro Emídio aos 86'), Hugo (Odair aos 90+5'), Amâncio e Moisés (Rovisco ao intervalo); Hélder (Fábio Fonseca aos 86') e Nené. Treinador: Fernando Rodrigues. Golos: 0-1, Nené (71'); 1-1, Marinho (74'). Acções disciplinares: amarelos para Jackson e Licas (2) (Santo António); Joel (2), Nené e Bruno (Mem Martins). Vermelhos por acumulação para Joel (Mem Martins, 90') e Licas (Santo António, 90+3'). Vermelho directo para Amarelas (Santo António, 90+5').
Após o jogo, conversámos com o treinador José Carlos (Santo António), a quem observámos que, por paradoxal que parecesse, pela lógica matemática dos pontos, este empate ter-lhe-á custado mais do que a derrota em Porto Salvo. Não?... Custou muito. A equipa bateu-se novamente muito bem, só que não fomos felizes. Sabíamos que o Mem Martins tinha uma boa equipa, de modo que estamos empatados também na tabela classificativa. Mas o facto é que teríamos ganho este jogo... Olhe, eu não gosto de falar de árbitros!
Por falar nisso... Esta equipa de arbitragem pareceu-nos algo autoritária. Considera que isso terá enervado os jogadores de ambas as equipas? Acho bem que uma equipa de arbitragem seja autoritária, desde que o saiba ser. Mas vamos por partes: há um lance de grande penalidade, sobre o qual me deram a certeza absoluta! (Nota da redacção: José Carlos refere-se a um lance em que Marinho surgiu estatelado na grande área do Mem Martins, pouco antes do golo do empate... É omisso da nossa crónica, porque não tivemos a melhor visão do mesmo, para opinar sobre o facto do árbitro nada ter assinalado.).
E o golo anulado... Foi anulado porquê? Isso pergunto eu! O nosso segundo golo foi limpinho! Mas há que respeitar. Agora, situações como esta última expulsão... Os meus jogadores dão-se à educação, aqui faz-se por isso. É verdade que houve uma "boca", de alguém que estava já fora do campo. O fiscal virou-se então para trás e pediu que se levantasse um do banco. Quem o fez, foi expulso! Assim, está mal. Enerva-se o treinador, enervam-se os jogadores, só complica. Também não gostei da situação que se gerou quando foi expulso um jogador adversário, na medida em que o árbitro ficou ali a falar com eles, desnecessariamente. Isso só veio "arrefecer" a minha equipa, que queria ganhar o jogo.
Apesar do empate, a diferença pontual em relação aos primeiros lugares não é insuperável. Ainda está tudo em aberto, não lhe parece? Pois é! Ainda há muito campeonato. Sei que os meus jogadores estão unidos. O nosso espírito de equipa é muito bom. Vamos continuar a trabalhar, com vontade, para tentar ganhar a cada Domingo.
Conversámos também com o treinador Fernando Rodrigues (Mem Martins), a quem perguntámos se se sentia satisfeito com a exibição da sua equipa. Respondeu-nos assim: Sim. Apraz-me dizer que sabíamos de antemão que iríamos defrontar uma belíssima equipa, treinada pelo Luís Silva, que entretanto saiu para o Sacavenense. O Santo António está bem organizado, é uma equipa forte e só perdeu pela primeira vez na jornada anterior. Este jogo foi muito disputado. A meu ver, o empate aceita-se e deixa-me satisfeito. Empatar fora é sempre bom.
Com este resultado, já são sete o número de jogos sem conhecer o sabor da derrota. A sua equipa está num excelente período... Até onde poderão chegar? Nós habitualmente jogamos sempre do meio da tabela para cima. Mais do que isso, é pedir demais.
Nomeadamente, um regresso à Divisão de Honra?... É complicado, nas condições que o Mem Martins nesta altura apresenta. Temos um pelado, numa altura em que já só há dois campos assim na nossa série. Fique sabendo que dos jogadores que aqui estiveram hoje, só dois é que não foram formados nos escalões jovens do Mem Martins! A qualidade é boa, mas falta-nos qualquer coisa para tentarmos atingir algo mais do que uma classificação apelativa. Evidentemente, se lá chegarmos, não diremos que não.
Para um clube que conta actualmente com mais de 70 anos de história, não era tempo da Câmara dar uma ajudinha, no caso do pelado? Com certeza! Essa é uma "guerra" pela qual se bate a Direcção do Mem Martins. Como diz e muito bem, um clube com a nossa história já mereceria ter outras condições de trabalho, que são péssimas para os nossos miúdos. Todos os anos há sempre quem saia, para procurar outras condições. O clube só subsiste graças à "carolice" dos treinadores e das Direcções, que proporcionam um bom ambiente. A freguesia de Algueirão - Mem Martins é a mais populosa da Europa. Penso que a Câmara podia olhar de outra forma para o Mem Martins, se tivermos em linha de conta que tem feito campos relvados noutros lados, nomeadamente em Vila Verde. Atenção, não tenho nada contra os clubes, nem estou a dizer que não merecessem! Só acho que, no nosso caso, deveria fazer algo mais. |
|
Actualizado em Terça, 19 Janeiro 2010 01:09 |
|