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A inclusão de Pedro Pereira, nosso atleta sénior de futebol, na sequência de contra-capa, iniciada em Janeiro de 2005, com Carlos Canuto, denominada "As Nossas Glórias" poderá parecer estranha ao leitor mais desatento, até porque, até hoje, este espaço apenas se ocupou de glórias passadas.
Entende a Direcção deste periódico que neste espaço do jornal se apresentam Glórias do Clube, aqueles que por algum motivo se destacaram, no seu desempenho desportivo, no Clube, e não "Velhas Glórias", ou seja, achamos que não nos devemos restringir às glórias passadas, mas também às de hoje, muito embora estas últimas possam não atingir a dimensão das de outrora. Se não renegamos o passado e nos orgulhamos dele; o presente, ou o passado menos longíquo, não tem sido menos digno e dele nos devemos orgulhar igualmente. Pedro Pereira é Campeão Nacional de Futebol e foi eleito pelo público da Tapadinha "Jogador do Ano 2006". É neste contexto que o incluímos no nosso "álbum" de glórias e publicamos hoje a breve conversa que com ele tivemos recentemente.
Jornal O Atlético (A)- Pedro, a primeira pergunta é certamente sobre um assunto que talvez não estivesse à espera de ser abordado. Soubemos de fonte fidedigna que há uns anos atrás já integrou uma equipa de Alcântara, não do Atlético, mas da Cooperativa 2ª Comuna, em Futebol de Cinco, o que não deixa de ser curioso, uma vez que não é de Alcântara. Como foi? Pedro Pereira (PP)- De facto não sou daqui. Foi meramente acidental mas guardo boa recordação desse tempo. Eu jogava no Olivais e Moscavide, isto há cerca de uns 8 anos atrás, nessa altura eu jogava com dois colegas que já haviam jogado no Atlético; eu devo dizer que sempre joguei, também, futebol de cinco, esses colegas do Olivais também, e houve a possibilidade de entrar num torneio em que de facto representei a Cooperativa 2ª Comuna. Isso aconteceu porque um desses colegas que eram daqui da zona também jogavam nesses torneios da 2ª Comuna; o Silas também lá jogava, enfim foi divertido, foi cerca de um ano...
A- Bom, vamos então à sua carreira de futebol de onze, como é que tudo começou? PP- Comecei a jogar nas escolas do Sporting, em Infantis, com onze anos; depois passei pelo Belenenses. Tive então uma mudança na minha carreira de atleta pois passei a jogar futebol de cinco, primeiro no Sporting, novamente, onde fiquei até à idade de juvenil. Também praticava outras modalidades como kick-boxing e voleibol...
A- Ou seja, ia a todas... PP- (risos) quase...
A- E como é que se regressa ao futebol de onze? Uma vez que parece-nos que por volta dos 15 ou 16 anos isso não fosse uma prioridade ou um objectivo... PP- Bom, foi através dum colega meu que jogava no Olivais e Moscavide, desafiou-me, eu era Juvenil, fui lá treinar e fiquei. Fiquei em Juvenis, em Juniores e subi a Seniores. Foram 3 ou 4 épocas enquanto sénior e subimos lá de divisão. Fui então fazer uma passagem pelo Seixal onde, apesar de termos uma excelente equipa, tivemos a infelicidade de descer de divisão. Na sequência disto, transferi-me para o Real de Massamá e posteriormente para o Imortal, donde "regressei" a Alcântara, desta vez para o Atlético...
A- Muito bem. E no terreno do jogo, como foi? Jogou-se sempre cá atrás? PP- Não. Só nos Juvenis é que fiquei como jogador da área defensiva, quer a defesa direito, quer a líbero. Em Juniores avancei no terreno, sendo comum jogar a médio ala, direito ou esquerdo, por vezes até a ponta-de-lança. Fui sempre um jogador ofensivo, tenho essa tendência, mesmo quando passei a sénior...
A- Isso talvez explique a facilidade com que progride no terreno... PP- É possível, às vezes tinha a ver com o sistema táctico, em 3-5-2 era comum fazer a ala toda, o corredor todo, quando algum colega se aleijava também era colocado a Defesa Direito, daí que a posição a que jogo no Atlético não seja mesmo nada estranha, até porque no Olivais e Moscavide tive um ano inteiro a jogar a Defesa Direito.
A- Nota-se que tem facilidade no lugar e em subir rapidamente no terreno... PP- Sim, fisicamente também sempre fui bom atleta e sempre tive o ensejo de me cuidar e manter a forma...
A- Talvez seja do kick-boxing... PP- (risos) Não, talvez seja uma aptidão genética. Há pessoas certamente com muito melhor preparação física que eu mas como é uma coisa que gosto de fazer, se calhar tudo acontece naturalmente sem grande esforço.
A- Esta sua passagem pelo Atlético, como tem sido? PP- Extremamente positiva. Está a correr bem, ganhámos o campeonato, foi a minha terceira subida de divisão, havia subido com o Olivais e Moscavide e com o Imortal. As pessoas são extraordinárias, o clube também, tenho conhecido muita gente boa, feito muitos amigos; já vinha muitas vezes a Alcântara porque tenho muitos amigos nesta zona, agora fiquei ainda com mais. Das gentes do Atlético também só posso dizer bem, afinal elegeram-me jogador do ano...
A- A propósito, como é que convive com esse "galardão"? PP- É uma situação com a qual me regozijo muito e agradeço terem reconhecido o meu trabalho desta maneira mas devo dizer que talvez fosse mais justo se tivesse havido uma medalha para cada um de nós, pois todos ou quase todos o mereceriam, uma vez que todos os dias, todos os jogos, todos andámos a trabalhar para o mesmo. Mas é claro que me sinto muito bem com esta conquista... Agora julgo que, neste caso, entregar o prémio de melhor jogador só a um é uma injustiça.
A- Bom, mas qualquer votação deste género será possivelmente uma injustiça pois ela é o resultado de um conjunto de emoções de quem vota... PP- Efectivamente...
A- Acreditamos que o melhor momento do ano passado tenha sido o título, mas qual foi o pior momento? PP- O melhor foi de facto o título, pois coroou de êxito todo o nosso trabalho. Quanto a maus momentos houve igualmente vários, mas não vou especificar nenhum. Houve jogos que correram muito mal, sobretudo na Tapadinha, e que nos deixaram de rastos; houve também alguns acontecimentos de balneário que não foram dos mais eloquentes, mas enfim, já lá vai... Conseguimos debelar isso e em Maio éramos uma família. Foi essa família que venceu o campeonato.
A- Para terminar, pretende acrescentar mais alguma coisa? PP- Sim, aproveito para agradecer à massa associativa do Atlético o apoio incondicional que dá à equipa; também ao jornal que, parecendo que não, é um importante elo entre a população, os sócios, e os atletas e enfim, dizer que acho que um clube como este, é uma pena não estar, pelo menos, um degrau mais acima no futebol português. Ver com frequência as bancadas compostas como no jogo com o Carregado é muito estimulante para os jogadores, o Clube merece isso tudo e os adeptos também.
Este artigo tem a autoria de Luís Sampaio Howell, é o nº 17 da colecção "As Nossas Glórias" e foi originalmente publicado no jornal "O Atlético" nº 67, Agosto de 2006. |